UM IRMÃO ESPECIAL
Olá amigos queridos da Cabaninha, hoje vou contar para vocês um pouco sobre meu irmão , a nossa amizade, o nosso encontro de vida!
O nome dele é Manuel Júnior, mais conhecido por Juju.
Ele nasceu dia 06/09/71. Minha mãe contou-me que ele nos primeiros dias de vida chorava muito, parecia que ela tinha espinhos no colo, rejeitou o seio materno logo de cara, não era fácil alimentá-lo.
Com o tempo ele foi-se revelando diferente, deitava-se de bruços no berço, cruzava os braços colocando as mãos como se fossem travesseiros e batia sua testa, sua cabeça contra as mãozinhas, por muitas horas.
Parecia uma bola de basquete!
Balançava-se todo, de um lado para o outro, mastigava as chupetas, dormia com uma fronha verde abraçado.
Minha mãe muito inexperiente passou a temer que ele não comesse e passou a dar tudo o que ele gostava, resumia-se em: amendoins, bananas, salsichas, danones.
Ele não falava, emitia sons, não sabíamos o que ele queria ou precisava.
Até que um dia, uma Testemunha de Jeová bateu na porta de casa e conversando com minha mãe, sugeriu sutilmente que talvez o Juju tivesse alguma dor de cabeça, por isso a batia no chão, que seria prudente levá-lo a um neurologista. Naquele tempo médico de cabeça era tabu, era para louco. Mas minha mãe não se fez de rogada e foi. Quando o médico viu o Junior disse à minha mãe: "Reze para que o eletroencéfalograma dê alguma coisa, pois caso contrário a senhora terá uma longa jornada". De fato não deu nenhuma alteração, e o médico encaminhou minha mãe a APAE onde ele ficou por três meses sendo observado, educado e diagnosticado.
Na APAE ele aprendeu a comer de tudo (passou fome por lá), inclusive usando talheres, aprendeu a apontar as coisas que quer como água, banheiro, café, passou a dormir sem a tal fronha e sem chupetas.
Foi diagnosticado como tendo Retardamento Mental Moderado, hoje, com traços autistas.
Meus pais foram conversar com um vizinho, ele havia feito ensino superior e meus pais foram consultá-lo para saber se ele tinha algum livro ou sabia do que se tratava esse diagnóstico. O vizinho disse secamente :"Significa que ele será um inútil à sociedade".
Bem, acho que ele tem razão, meu irmão não vota,nem trabalha, mas contribui em muito no imposto de renda, no imposto de morte dos meus pais. Pagamos um plano de saúde caríssimo, uma pessoa para ajudar a estar com ele.
Mas um produtor de filhos, de grana, não o Juju não sabe fazer! Mas meus pais deixaram tudo tranquilo para ele, se esforçaram para isso, deram a vida por isso, logo questiono tal inutilidade!
Enfim, o Juju aos quinze anos passou a ter convulsões o que faz ter de tomar gardenal duas vezes ao dia. Precisa de atenção contínua.
Quando meus pais morreram, o Júnior ficou dois anos deprimido, parou de movimentar-se ficando com problemas intestinais e as mãos duras. Corri aos médicos, até conseguir uma funcionária diarista, honesta que fizesse da minha casa um lar com rotinas e som de rádio, da máquina de lavar, da tv.Com tudo isso o Juju resgatou a convivência com o lar e melhorou da depressão.
Hoje seu dia resume-se em tomar banho, ficar cheiroso, andar na praça, ficar sentado na sala. Ele não demonstra interesse por muitas coisas, mas gosta das pessoas. Fica bravo se deixamos de dar atenção, enciumado, gosta de só fazer o que quer e muitas vezes se faz de besta porque é meio pregiçoso o moçoilo.
Mas é muito querido esse meu irmão, nunca teve um ato violento, faz umas birras de vez em quando, mas nunca é agressivo. Ele é fissurado em café e coca cola .
Não gostaria de vê-lo sofrer nunca , não gostaria de vê-lo morrer, nem de morrer antes dele, porém, são angústias que não podem dar respostas, nem evitar sofrimento, então para quê sofrer agora?!
Vou é mais aproveitar o belo sorriso do Juju , tomar café da manhã com ele, vê-lo fazer cara de quero mais no almoço! Beijos em vocês!
fotos do juju com minha mãe no dia em que nasceu
juju no colo da madrasta de minha mãe
juju em 1974
juju em 2003
Escrito por Gigi Tomate às 02h16 AM
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